Embolia Gasosa Disseminada - Causa da Morte do Humorista Paulo Gustavo

A embolia gasosa foi um dos fatores de piora citados no boletim médico do ator Paulo Gustavo na segunda-feira (03/05), e o que, infelizmente levou à falecer (04/05/2021)

 

A embolia gasosa ocorre quando bolhas de ar entram no sistema circulatório (onde, em condições normais, só deve circular sangue), causando obstruções.

 

"Na embolia gasosa, bolhas de ar vão para dentro do sistema circulatório, obstruem a circulação, e levam a região a uma deficiência de oxigenação, que é fundamental para as células, para elas se manterem vivas", explica o médico intensivista José Albani de Carvalho.

 

A embolia gasosa pode ocorrer "em decorrência de uma fístula bronquíolo-venosa".

O que isso significa?

 

"A fístula é como se fosse comunicação por ruptura de alguma membrana, de duas estruturas - neste caso, veia e bronquíolo, que são duas estruturas que não se comunicam de forma normal", explica Feltrin. "Com essa ruptura de membrana, conteúdo de gás sai do bronquíolo e vai para dentro da veia, e esse gás infelizmente não ficou só no pulmão, ele foi disseminado."

 

"O tratamento seria a correção dessa fístula, mas muitas vezes precisa ser cirúrgica, e muitas vezes os pacientes não têm condições de passar por esse procedimento, porque estão instáveis, com ventilador mecânico, circulação extracorpórea, aí não tem como parar esses dispositivos para fazer correção dessa fístula."

Quão grave é a embolia gasosa disseminada?

 

A disseminação do ar pelo sistema circulatório e os órgãos que são atingidos são os dois principais fatores para determinar a gravidade da situação, segundo os médicos.

 

"A embolia gasosa pode ser local, afetando um órgão só. Ou pode ser uma situação mais delicada e com mortalidade maior, que é a embolia gasosa disseminada - ou seja, que começa em órgão específico e o gás é disseminado para outros órgãos", diz Feltrin. "Se tem disseminação para pulmão, coração e, principalmente, cérebro, aumenta muito a mortalidade."

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O que tem a ver com a covid?

 

Médicos apontam que casos de embolia gasosa têm relação não com a covid em si, mas com os tratamentos muitas vezes necessários para lidar com as complicações relacionadas à doença.

Patrícia Canto aponta que, quanto maior o tempo de necessidade de ventilação mecânica de uma paciente, maior é a chance de ocorrer complicações.

 

E Feltrin diz que "a embolia gasosa muitas vezes acaba sendo consequência de complicação de uma ventilação mecânica, de circulação extracorpórea", necessárias em casos graves de covid.

"Ou seja, a covid não causa (embolia gasosa), mas ela é consequência de dispositivos que precisamos usar em casos graves da doença", diz o médico.